Sou feliz, sou sim, vivo um dia de cada vez e aproveito o que puder para me refrescar com alegria. Bem, talvez isso seja apenas uma forma de negar a pessoa fria que me tornei, a pessoa seca. Ou arrependimento de ter me jogado de cabeça em algo e na queda sentir a água virando concreto em meu rosto. Eu mudei, e ele me mudou muito. A verdade é que hoje sou muito defensiva, temo tudo que possa me machucar demais. Evito contato, evito olhos...
Eu não gosto de ser assim. Eu não gosto de me sentir como sinto. Acontece que quando temos uma ferida que sangra em intervalos de tempo não conseguimos simplesmente definir quem somos como desejamos. Hoje eu sou a consequência do meu passado. Eu ainda não sei como, mas quero mudar isso.
Melancólica em certas horas, vazia em outras, e no resto eu vivo o que posso. Queria esquecer tudo o que passou, queria esquecer o beijo, o carinho, o cheiro... Assim como necessito esquecer das palavras que me feriram, das atitudes que me marcaram...
Eu estou me levantando, mesmo assim. Mesmo ainda nesse estado deprimente. Só não sei para onde ir... É como se eu fosse muito menor do que sou e tivesse que andar no meio de uma multidão, que anda em passos rápidos e que pode me atropelar, me pisar, assim como você fez. E então eu me escondo, eu desvio os olhos, eu evito...
O que não entendo é... como pôde todo aquele amor que eu te dei se voltar contra mim? Eu errei aonde? Eu não sei! Eu não sei... E eu estou cansada de me perguntar isso e não achar nada grave o bastante que justifique isso.
...
Sinto saudade do homem que você era, do amor que eu sentia por você, do amor que eu recebia... Mas tudo mudou, radicalmente. Hoje o meu amor, o seu amor, é a dor que eu sinto.
Acho que desaprendi a te perdoar, e por isso essa dor não passa.
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