Eu sou aquela menininha que na hora da oração, na igreja, vai agachada até uma pilastra, e suspira.
A menininha que tira o livro do casaco, e o beija, em um ponto cego da visão dos padres. A que ignora a intensidade do cântico e desabafa o seu trecho preferido naquele lugar sagrado, para que o seu Deus, ali mais presente - como dizem os mais velhos, escute a obra de arte que é o homem, por escrever coisas tão belas e tão graciosas para todos que as leiam.
E então a menina recita, baixinho, aquele trecho de Romeu e Julieta, seu preferido. E se sente tão cheia de si, como alguém que bebe da fonte da própria vida, como quem dança na cachoeira do Éden nos dias dourados.
Ela se levanta, corre de mansinho até o banco. Embora seus lábios cantem como os dos outros, seus olhos fechados são a tela para sua mente, que nutre a escuridão de esperança e beijos cantados, de amor e de alegria pura.
Eu não sou ninguém. Mas eu sou eu, e isso, para mim, basta. :)
(Retirado do Flog)
Unicamente um grão é uma coisa sem importância, algo que se acha em qualquer lugar. O que varia é do que eles são, sua cor, coisas sem importâncias, como ele. Um grão é uma coisa morta, não, é uma parte de uma coisa morta. Coisa morta que pode um dia ter tido vida, ou não. Coisa morta que um dia foi adorada, ou não. Que um dia foi amada, ou não. Mas agora ela é sem importância, porque se mistura com todos os outros grãos sem se lembrar do que foi, ou do que sempre quis ser.
Se fôssemos algum dia ser grãos, creio que guardaríamos em cada pedacinho da gente um pouco do tudo que fomos, do tudo que sentimos.
Seríamos grãos como outros, sem perceptível diferença, mas únicos em si. Toda dor e todo amor de um corpo guardado em cada grão seu. E cada pedaço se recorda da imensidão conhecida quando era um todo.
Como um grão qualquer. Como um todo que um dia foi abençoado por uma alma e agora é completo, mesmo como grão.
(Retirado do Flog)
Não tenha vergonha de ser você. Quando quiser sorrir, ria, quando quiser chorar, chore.
Quando quiser, se maquie, se enfeite, invente penteados, use seus preferidos saltos, se expresse! Engraxe seus sapatos, tire sua barba, respire o pescoço de quem ama, veja o seu programa favorito bebendo o que quiser, vá para o futebol!
Durma livre, nú, cheio de roupas! O sono é seu.
Rabisque a mesa com um coração, no momento em que ninguém olha, e conte para você mesma o significado daquele símbolo ali.
Tenha o segredo, tenha o íntimo, tenha o que quiser ter. E se não tiver, o próximo avião sai às 8. Corra atrás! ;D
Seja risonho e desastrado, seja sério e calculista, seja o que você é no momento, seja só você.
Mantenha-se auto-suficiente o bastante para lutar, para ter fibra e agarrar o que quer. Precise de alguém, daquele alguém que te faz tão... bem.
Ame! E não tenha vergonha de repetir que ama em alto e bom som, ou aos sussurros. Repare no incondicional.
Beije seus irmãos, cultive o carinho entre vós.
Erre, aprenda a se perdoar, evolua. Saiba tratar os deslizes do seu amor, do seu amigo, com carinho, aponte o erro com paciência, lute para chegar em um acordo que faça ambos aprenderem. Os laços não se fortalecem apenas com coisas boas.
Beije a chuva, até mesmo nos dias aonde o cansaço te acompanha, conte para ela como você está vivo, e feliz!
Seja você, e se quem você ama te amar assim ( mesmo fedendo depois de um futebol, ou com os estresses de uma mocinha irritada, ou com as manias insuportaveis, com todos esses seus erros e defeitos ), abrace o erro e o errado, depois da briga, e se perdoem. Beije, beije, beije, até no café frio da tarde cinzenta, ou no silêncio ensurdecedor de uma briga. Abrace e não solte nunca mais!
E quando a felicidade estiver presente até nas horas mais estressantes, ria.
E então você é tão auto-suficiente que precisa de um certo alguém, da mesma forma que esse alguém precisa de você. Porque são tão necessitados um do outro que ao estarem juntos se tornam auto-suficientes. E o mundo não entende, porque a harmonia está ali, entre os dois! , harmonia essa que só surge entre os dois.
Não, mocinha, não desanime não que o seu amor espera por você assim como você espera por ele. Apenas lute, e seja você.
Amor incondicional, Amor tudo, sentimento bravo e repleto de exatamente tudo o que precisamos, surge apenas ao se deparar com o ser mais lindo desse mundo - o mais lindo, aos seus olhos, de um modo que mais ninguém no mundo conseguiria ver, e entender.
Auto-suficiência porque o outro ser e você, são um só!, logo, são auto-suficientes. Precisam apenas deles mesmos - de metade deles que se encontra em outro corpo, logo o resto do mundo é o resto do mundo e apenas isso.
Felicidade ladra de seriedade! Que chega e nos assalta tirando toda a dor, e nos deixando uma sensação inexplicável. ;D
Auto-suficiência!.
(Retirado do Flog)
"Os erros nos levam a aprender.
Mas não goste deles, depois de os conhecer, os evite.
E quando o erro for seu, carregue-o estampado diante de seus olhos até que a sua culpa/preservação o repudie."
Rasgou o papel com a minha caligrafia borrada em mil pedacinhos que alçaram vôo no vento, para bem longe de mim.
Depois que descobri que a razão é falha errei tantas vezes. Errei pelo tanto que rejeitei o ato de errar, antes. Não há cálculos, nem divisões inteiras. Nem fórmulas, nem bases fixas. Muito menos a maleabilidade de uma história.
Há apenas uma carne, um corpo humano desajeitado comandado por uma mente preocupada e uma alma feliz e ingênua. E há um mundo enorme, o infinito, e limites, e o incompreensível, e o inegável, e ...
Os erros relembrados por outros erros nada mais são do que desvios que recordamos de não esquecer.
(...)
(Retirado do Flog)

Mar de papel espalhado, palavras grifadas. Sensação de onda que bate e nos empurra, e logo nos puxa. Cálculos, 6, 7 e 9.
Corpo pesado, mente viva.
Foi bom eu ter adormecido, agora que acordei eu sei para onde olhar. Eu sei para onde ir.
Há um verde que nunca floresce aqui, que nunca faria parte do cenário do Rio.
Há um riso que não me abandona.
.
"Felicidade não se pede, quando menos se espera ela cola em você. E então você se apaixona por ela, e tem medo dela ir embora - medo de quem a trouxe ir embora, daí você fecha os olhos de noite e pede para nada se desfazer, nem no dia seguinte, nem nos seus últimos anos. Pede para não perder a felicidade e nem o dono dela. Felicidade não pede lugar, ela chega e pronto, fica. ! O amor também, mas ele é mais intenso, e às vezes ele machuca - machuca mais pelo mundo do que pelo ser amado, pois quem amamos nunca há de nos fazer mal, e esse peito aqui tudo perdoa. Porque a necessidade de dar amor é maior do que a capacidade de segurar rancor - rancor esse que é, inegavelmente, momentâneo. "
Sorvete que dança, na taça, e se derrete em um mel cremoso.
sorvete
dança
na taça
e se
derrete
em um
mel.
Felicidade que dança na alma e escorre para os olhos, e lábios. ! ;D
(Retirado do Flog)

"As luzes da cidade gritavam, dançavam, cantavam, em um ritmo de ondas brilhantes. O café com leite esfriou. A tarde caia nas trevas, a lua enfeitando o ar. Suspirei. O mundo parecia tão sereno assim, sem as complicações, os problemas, os erros. E uma sensação de torpor invadiu meu peito, bom demais para ser aceitado pelo cérebro estúpido, delicioso o suficiente para fazer transbordar o coração, o momento era meu."
[...]
A segunda está chegando, acho que devo dizer "olá, inferninho", para ser educada. E por sinal, estou tendo um "ótimo" fim de semana, para compensar. ;D
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"Dragões voavam pelo céu, enfeitiçando aquele sonho de carmim e dourado. Meus cabelos pesavam, muito mais do que a espada na minha cintura. Cicatrizes em meus braços ganhavam destaque naquela cena.
Desci do banco de resina, me acolhi nas flores de cerejeira jogadas ao chão, cheiravam tão leves, hoje. Prendi meus olhos novamente nos dragões, dançavam alegremente. Um deles mergulhou ao chão, fez a manobra errada, caiu com um estrondo.
Me levantei de um pulo, sacudindo flores para todos os lados. Quando cheguei ao lado dele, não havia luta, nem dor. Não senti medo - todos temiam os dragões, diziam que eram criaturas famintas e sem piedade, que sua beleza era pura distração, mas logo que o vi de perto discordei dessa idéia maluca, ele era lindo e nada ameaçador. Havia uma secura que começava a aparecer dos olhos e ia mortificando a criatura mística. Me sentei ao seu lado, procurando algum sinal de vida. Nada.
Vovó me disse que dragões tinham sua hora, e que todos morriam felizes. Não entendi como criaturas tão grandiosas podiam simplesmente morrer. E então ela me respondeu que elas eram grandiosas pois morriam em momentos alegres, e não cheios de dor, como o resto das criaturas. Por hora não entendi o que ela queria dizer, não sabia se me sentia feliz, por ele morrer feliz, ou triste, por não mais o ver encantando os céus.
Beijei seu nariz, molhado, e me postei encostada na criatura, até que adormeci. E em meu sonho, eu voava com ele lá no céu dourado. E a felicidade, minha e do dragão místico, era eterna.
Acordei em meio a uma chuva cortante, naquele frio da noite, molhando toda a minha roupa, encharcando os meus cabelos. Mais frio ainda estava o dragão, aquela divindade agora uma carcaça gelada. Solucei, um choro estúpido para um ser que eu nem conhecia. E então pedi desculpas, me levantei com aquela roupa pesada, e voltei para casa.
Adormeci na janela, atormentada por tê-lo deixado lá, sozinho. Noutro dia acordei cedo, corri até o local aonde meu dragão morrera de felicidade, nada achei! Um vazio imenso no meio de flores de cerejeira. Um vazio imenso, no meu peito. Me perguntei se dragões tinham lugar no céu. Logo cortei o pensamento, não me permito perguntas desse tipo.
Algo roçou em minhas pernas, e quando vi era um filhote de gato, bem miúdo, que ao me olhar começou a miar como se já me amasse. Abaixei, olhei para seus olhos amarelos, tão fiéis aos do dragão que me despedi... E o meu amor pelo dragão não havia congelado, como a sua carcaça. Havia se fincado na sua outra forma, naquela coisa miúda e necessitada de cuidados.
Por um instante me perguntei se fiz certo ao dormir pedindo a oportunidade de ter aquele dragão em meus braços, para cuidar dele. Pois minha avó disse que eram dragões por morrerem felizes, e se... E se, agora, que não tinha mais a forma de dragão, eu o fizesse morrer triste?
E ele respondeu a esse meu pensamento, se enroscando mais em meu colo. E desde então, ele é minha felicidade."
(Retirado do flog)