Ela tropeçava em soluços desregulados já sem nem saber por que. Uma sensação de vazio - nem tristeza havia ali. Como quem pisa no próprio pé e não tem a quem culpar, se não ela mesma. Não se lembra como pensar e morde a própria língua ao tentar explicar. Há uma lágrima que em vez de saltar dos olhos e se espatifar no chão, pesa mais a cada minuto, dando aos olhos já sonhadores uma aparência triste.
Ela não sente dor. Creio eu que se prendeu em um torpor para não pensar naquilo.
Nem mesmo dormir aliviou o peso em seus braços magrelos, deitou e ficou horas sem pensar em nada - após pensar inúmeras bobeiras, só esperando o sono vir. E quando o bendito sono veio, diferente do remédio que passa a dor, não trouxe alívio algum. Dormiu as poucas horas necessárias para manter-se alerta durante as aulas. Acordou roboticamente. Por que o fazes? E ela respondia, sonsa, "porque sim", e mais nada tinha a dizer.
Não haveria como não reparar, seu rosto sempre risonho que agora se limitava a zero. Não era tristeza porque ela sabia, lá no fundo, que não ia desistir, que não acabou, que era apenas medo e não certeza.
Mas a chateação não foi embora, ficou ali, sugando o espaço da familiar felicidade plena. Diferente de todas as outras vezes as palavras a assustaram, a feriram. A fizeram temer e sentir, nada mais nada menos que na pele, como ela era vazia sem... E aonde estava ela e toda a sua felicidade que mal cabia no corpo? Em que canto do corpo magro e pequeno, ela se escondera? Juro que tive medo de fazer 'toc toc' e ouvir um som oco e grotesco como resposta.
E talvez ela apenas se perdera na sua existência sem sal, escorregou por um instante do seu porto seguro e caiu na água escura e vazia, vazia como ela. Tendo que se encarar e racionalmente admitir que, só, em si, é só um vazio que respira sem importância.
E por quê teria de ter importância? É animal que respira, e vive, e pensa, e sente. Animal grotesco que em uma manhã de quinta feira véspera do dia de sua nobre arma, se recusa a pensar. Pediu a si para guardar o que sente um pouquinho, para não sentir o medo da perda. Parou de pensar porque assim é menos dramático. Não é ninguém triste pelos cantos, é um vazio. E ninguém reconhece o vazio porque não há nada lá, talvez até estranhem a ausência de algo, mas é só isso.
Só é complicado sorrir ao estar assim, porque convenhamos, triste sorrimos para não notarem nossa tristeza, feliz sorrimos sem saber que sorrimos, mas sorrir para o vazio? Ninguém vai o notar mesmo. É um vazio, gente, só.
Ela sou eu, e eu sou ela. Falo de mim como se outra fosse porque se começasse a desabafar teria que pensar demais, e focar o que sinto, para isso. E não quero nenhum dos dois. Como diz meu capitão, quando a mente não aguenta, a carcaça sustenta ( e quando a carcaça não aguentar, que a moral nos sustente), e que assim seja.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Mas o que eu posso oferecer é a minha escrita enxuta, que consegue demonstrar um pouco do todo que me faz, um pouco do todo que eu sinto.E não estranhem se parecer recortado, mudando de rumos a todo o instante, cada dia é um novo dia e um sentimento cada vez mais domador de mim. Assim sendo, tentei, mesmo em dias diferentes, explicar um pouco do tudo.
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" O amor me pegou. Eu era uma menina teimosa, eu sou teimosa. Logo de cara, não quis o encarar de frente, assim que ele mostrou suas garras cheias de vida para mim, virei a cara! Sim, espantada. Me rasgou o peito em um gesto demorado, silencioso, e me infectou. E aquilo foi me tomando todinha, foi me obrigando a levantar a cabeça e a ver aquilo que eu tanto desejava. E então, eu olhei: A droga e o viciado..."
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(Perdoem mas não sou profissional, e sou tanto narradora quanto personagem, e por isso às vezes falo de coisas que talvez vocês não entendem, pois são coisas minhas. E explicar mais está muito além dos meus dedinhos roliços, que ficam saltitando nessas teclas, carimbando em palavras. Transformando pensamentos, sensações e sentimentos, em palavras.)
(Partes de um texto do Flog que acho que valem a pena estar aqui)
domingo, 10 de maio de 2009
Clarão
Ele sorriu para mim, e o mundo virou um clarão.
Tudo ganhou forma, cor. Meus sentidos acordaram. Eu sentia meu peito, numa batida insistente, eu escutava, os meus suspiros bobos. Cada ação tinha um significado, não era apenas uma ação, não era um nada. Do vazio eu senti o perfume das flores, inevitável, inegável, estava ali. Eu senti, eu sinto.
E num compasso corrido, o tempo esqueceu de me avisar que estava passando.
Oi amor, eu passei quinze anos te esperando. Oi amor, aqui amor, aqui!
Eu o encontrei, e ele me encontrou. Como duas criaturas da mesma espécie, que por motivos que desconhecem, têm uma afinidade inicial sem motivo. Como dois animais, de mesmo cheiro. Sem razão aparente, um se torna a razão, do outro. E então, descobrem que nasceu ali, o amor. O Amor! .
Tudo ganhou forma, cor. Meus sentidos acordaram. Eu sentia meu peito, numa batida insistente, eu escutava, os meus suspiros bobos. Cada ação tinha um significado, não era apenas uma ação, não era um nada. Do vazio eu senti o perfume das flores, inevitável, inegável, estava ali. Eu senti, eu sinto.
E num compasso corrido, o tempo esqueceu de me avisar que estava passando.
Oi amor, eu passei quinze anos te esperando. Oi amor, aqui amor, aqui!
Eu o encontrei, e ele me encontrou. Como duas criaturas da mesma espécie, que por motivos que desconhecem, têm uma afinidade inicial sem motivo. Como dois animais, de mesmo cheiro. Sem razão aparente, um se torna a razão, do outro. E então, descobrem que nasceu ali, o amor. O Amor! .
(Retirado do Flog)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
E quem vai dizer que não existe razão...
E quem vai dizer, que o tempo vai me tirar de mim?
E quem vai dizer, que eu não posso me unificar ao som?
E se o dançar da minha saia, me torna flor, quem irá dizer que eu não sou pura?
Beijo de prata, luz do luar. Mãos, e pernas, e corpos, em um só. Riso que escapa, risada de sino. Olhos que se perdem no ar, olhar que se choca com outro olhar.
Distância de sabão, maldita que me faz escorregar enquanto eu tento andar direito. Bolhas de ar, que escapam, me deixa.. me deixa te respirar.
Perfume, cheirinho da pele! Suspiro.
Deixa eu te contar,que todas as noites, passam tantas coisas na minha cabeça. Mas tantas! coisas, que se eu fosse jogá-las em um papel, em letrinhas juntinhas formando palavras exatas, poderia até me embolar, no bolo de idéias pregadas, umas nas outras.
Deixa eu te contar, de novo, que de noite é no seu ouvido que eu vou desabafar tudo que o meu coração me conta, tudo que a minha mente descobre.
Deixa eu me alimentar, do seu cansaço, hoje, deita aqui no meu colo, se enrosca em mim, que eu te faço dormir.
E quem vai dizer que eu não posso ser mais?
Olhar coral, praia de sol, batom, chocolate. Sonho.
Lua de prata, beijo de luz.
E quem vai dizer, que eu não posso me unificar ao som?
E se o dançar da minha saia, me torna flor, quem irá dizer que eu não sou pura?
Beijo de prata, luz do luar. Mãos, e pernas, e corpos, em um só. Riso que escapa, risada de sino. Olhos que se perdem no ar, olhar que se choca com outro olhar.
Distância de sabão, maldita que me faz escorregar enquanto eu tento andar direito. Bolhas de ar, que escapam, me deixa.. me deixa te respirar.
Perfume, cheirinho da pele! Suspiro.
Deixa eu te contar,que todas as noites, passam tantas coisas na minha cabeça. Mas tantas! coisas, que se eu fosse jogá-las em um papel, em letrinhas juntinhas formando palavras exatas, poderia até me embolar, no bolo de idéias pregadas, umas nas outras.
Deixa eu te contar, de novo, que de noite é no seu ouvido que eu vou desabafar tudo que o meu coração me conta, tudo que a minha mente descobre.
Deixa eu me alimentar, do seu cansaço, hoje, deita aqui no meu colo, se enrosca em mim, que eu te faço dormir.
E quem vai dizer que eu não posso ser mais?
Olhar coral, praia de sol, batom, chocolate. Sonho.
Lua de prata, beijo de luz.
(Retirado do Flog)
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