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A segunda está chegando, acho que devo dizer "olá, inferninho", para ser educada. E por sinal, estou tendo um "ótimo" fim de semana, para compensar. ;D
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"Dragões voavam pelo céu, enfeitiçando aquele sonho de carmim e dourado. Meus cabelos pesavam, muito mais do que a espada na minha cintura. Cicatrizes em meus braços ganhavam destaque naquela cena.
Desci do banco de resina, me acolhi nas flores de cerejeira jogadas ao chão, cheiravam tão leves, hoje. Prendi meus olhos novamente nos dragões, dançavam alegremente. Um deles mergulhou ao chão, fez a manobra errada, caiu com um estrondo.
Me levantei de um pulo, sacudindo flores para todos os lados. Quando cheguei ao lado dele, não havia luta, nem dor. Não senti medo - todos temiam os dragões, diziam que eram criaturas famintas e sem piedade, que sua beleza era pura distração, mas logo que o vi de perto discordei dessa idéia maluca, ele era lindo e nada ameaçador. Havia uma secura que começava a aparecer dos olhos e ia mortificando a criatura mística. Me sentei ao seu lado, procurando algum sinal de vida. Nada.
Vovó me disse que dragões tinham sua hora, e que todos morriam felizes. Não entendi como criaturas tão grandiosas podiam simplesmente morrer. E então ela me respondeu que elas eram grandiosas pois morriam em momentos alegres, e não cheios de dor, como o resto das criaturas. Por hora não entendi o que ela queria dizer, não sabia se me sentia feliz, por ele morrer feliz, ou triste, por não mais o ver encantando os céus.
Beijei seu nariz, molhado, e me postei encostada na criatura, até que adormeci. E em meu sonho, eu voava com ele lá no céu dourado. E a felicidade, minha e do dragão místico, era eterna.
Acordei em meio a uma chuva cortante, naquele frio da noite, molhando toda a minha roupa, encharcando os meus cabelos. Mais frio ainda estava o dragão, aquela divindade agora uma carcaça gelada. Solucei, um choro estúpido para um ser que eu nem conhecia. E então pedi desculpas, me levantei com aquela roupa pesada, e voltei para casa.
Adormeci na janela, atormentada por tê-lo deixado lá, sozinho. Noutro dia acordei cedo, corri até o local aonde meu dragão morrera de felicidade, nada achei! Um vazio imenso no meio de flores de cerejeira. Um vazio imenso, no meu peito. Me perguntei se dragões tinham lugar no céu. Logo cortei o pensamento, não me permito perguntas desse tipo.
Algo roçou em minhas pernas, e quando vi era um filhote de gato, bem miúdo, que ao me olhar começou a miar como se já me amasse. Abaixei, olhei para seus olhos amarelos, tão fiéis aos do dragão que me despedi... E o meu amor pelo dragão não havia congelado, como a sua carcaça. Havia se fincado na sua outra forma, naquela coisa miúda e necessitada de cuidados.
Por um instante me perguntei se fiz certo ao dormir pedindo a oportunidade de ter aquele dragão em meus braços, para cuidar dele. Pois minha avó disse que eram dragões por morrerem felizes, e se... E se, agora, que não tinha mais a forma de dragão, eu o fizesse morrer triste?
E ele respondeu a esse meu pensamento, se enroscando mais em meu colo. E desde então, ele é minha felicidade."
(Retirado do flog)
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