sábado, 18 de abril de 2009

Sedimentar

Unicamente um grão é uma coisa sem importância, algo que se acha em qualquer lugar. O que varia é do que eles são, sua cor, coisas sem importâncias, como ele. Um grão é uma coisa morta, não, é uma parte de uma coisa morta. Coisa morta que pode um dia ter tido vida, ou não. Coisa morta que um dia foi adorada, ou não. Que um dia foi amada, ou não. Mas agora ela é sem importância, porque se mistura com todos os outros grãos sem se lembrar do que foi, ou do que sempre quis ser.

Se fôssemos algum dia ser grãos, creio que guardaríamos em cada pedacinho da gente um pouco do tudo que fomos, do tudo que sentimos.

Seríamos grãos como outros, sem perceptível diferença, mas únicos em si. Toda dor e todo amor de um corpo guardado em cada grão seu. E cada pedaço se recorda da imensidão conhecida quando era um todo.

Como um grão qualquer. Como um todo que um dia foi abençoado por uma alma e agora é completo, mesmo como grão.

(Retirado do Flog)

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