quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Vão

Eu estava presa ali, um lugar para os condenados. Mas uma esperança de vida ainda pulsava no meu peito,um sangue vermelho quente sendo bombardeado pelas veias. Mesmo com os olhos vazios como duas janelas sem nada para mostrar, com as olheiras marcando o tempo e o cansaço e a expressão de dor,de perdição. Talvez eu não estivesse tão fundo. Quem sabe se eu procurasse algum lugar para fugir, algum lugar com ar fresco e sol para aquecer minha pele de gelo, eu me encontrasse! Mas meu corpo estava plantado de exaustão ao chão,os pontilhados do concreto marcando minha pele, mas isso não tinha importância. Eu ainda estava consciente,ouvia o canto de pássaros ecoando de algum lugar,talvez a luz não conseguisse me alcançar.. Mas o som sim,eu sabia que era manhã pois os pássaros cantavam alegres. Um peso se remexia na minha cabeça, ocupando cada vez mais espaço, era o cansaço. Então eu dormia, um arco-íris e flores,sol,luz, coração batendo forte, era tudo tão real, eu sentia o perfume floral, o cheiro da terra, do orvalho ainda molhado. Acordar,como era ruim acordar e sentir o corpo mais pesado. Minha vontade era de manter os olhos fechados, no escuro dos olhos se esconde fantasia e não o medo da realidade, se esconde a imaginação saltitante de músicas inventadas,danças e histórias. Uma ilusão tão gostosa. Mas a realidade estava ali,uma pedra pesada levando minha cabeça ao chão. Eu nem sinto meu cheiro,será que ainda estou viva? Minha respiração respondeu, pesada, se arrastando pelo chão,como eu. Talvez estar viva não seja o melhor, talvez se eu não estivesse eu visse a luz para dourar meus olhos castanhos e tivesse força para esticar o rosto em um sorriso...

(14/12/2008)

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