Deixei cair o álcool,derramou no vestido todo... E agora me vem você,acendendo esse cigarro,sem nem se importar com nada, assopra as cinzas e põe fogo, só pra me tirar da roupa. Me enrolei em um pedaço de pano,um trapo,pra me abrigar do frio e dos olhos. Acho que os sapatos de salto afundaram na areia,em algum canto. O cabelo despenteou,escorrem rebeldes pelas minhas costas. O batom? Ah,um alguém tirou. Cai na farra,levada pelos braços de primos, tocava música alta e minha cabeça doía,nem sabia qual mão segurava mais. Via vultos, cores dançantes,oscilantes, cabelos livres, corpos pregados, amassos.Dancei até não me lembrar mais, olhei em tantos olhos, verdes, marrons, pretos, azuis,não sei como cheguei tão perto... Talvez eu tenha apenas cumprimentado as pessoas pelo olhar.
Voltei ao segundo parágrafo,acho que caí no sono,nem me lembro o que tinha lido,nem se sonhei.Fome. Vou pegar uma maçã,uma trufa,algo doce. Me lembrei das suas conversas sobre os culpados,sobre o senso de justiça, acho que apesar de tudo o que eu disse,minha vontade, seja de sabedoria, seja de aventura, seja de adrenalina no sangue, é absurda demais pra uma vida de pouco tempo, em todos os sentidos possíveis. E que se há algo que me enlouquece é sugarem um pouquinho que seja da minha liberdade e ignorar o senso de justiça. Me corrija se estiver errada, meus livros me ensinaram isso, você se prende a tua religião, eu me prendo à elas, minhas páginas de sabedoria e histórias,que me ensinam coisas que sei que os limites da tua religião não me ensinariam. Me prendo também às aventuras, onde eu procuro comprovar e testar meus conhecimentos, e, logicamente, adquirir mais alguns.
Pecado, lado errado, tentação, ande em linha reta! E se eu disser que essas palavras podem ter sentido? Sim, pra mim sim, para ti eu não sei. São idéias jogadas em um teclado, em frases mal formuladas, criadas por um coração que ama ser livre, mas que se prende por um futuro melhor.
(22/07/2008)
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