quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Doce e Sal

As coisas boas sempre acabam, após o doce vem o amargo. Mas por quê não revezar entre doce e sal, sal e doce? não haveria fim, um estaria sempre ausente e quando o outro estivesse perdendo o efeito seria tomado de surpresa pelo seu oposto, criando um ciclo natural, se renovar, renovar. As coisas não precisam sempre ter um fim. Elas podem ser eternas se mantiverem seus ciclos, se mantiverem o respirar, o cheio e o vazio, opostos e complementares...

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Tão puro e tão simples, estava ali. E na sua sublime simplicidade, eu vi ramos de uma força pura que me chamaram a atenção. Uma vontade de respirar, sentir o cheiro, examinar a voz, gravar os gestos. E a liberdade que circulava nossas mãos unidas parecia ser ilusória, de tão firme e transparente que era... E as palavras escapavam de mim, brutas, sem estarem emolduradas corretamente. Mas a resposta sempre as moldava de forma agradável, mais leve. E um sentimento nascia e pulsava no peito, teimoso, querendo me controlar. Crescia e domava cada suspiro, invadia cada pensamento e plantava dúvidas em qualquer ação imprecisa...

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E só a sua presença já mudava o significado e a importância das coisas ao redor.
As luzes da cidade gritavam, dançavam, cantavam, em um ritmo de ondas brilhantes. O café com leite esfriou. A tarde caia nas trevas, a lua enfeitando o ar. Suspirei. O mundo parecia tão sereno assim, sem as complicações, os problemas, os erros. E uma sensação de torpor invadiu meu peito, bom demais para ser aceitado pelo cérebro estúpido, delicioso o suficiente para fazer transbordar o coração, o momento era meu.

(25/01/2009)

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