quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Canção

Dia pesado, céu fechado, borboletas a esconder-se, cansaço estampado nos olhares de todos, um pássaro que canta, leve e animado, uma melodia de felicidade sem se importar se o dia é de tristeza.

E essa música invade meus ouvidos e balança a minha mente, e da minha cara séria e indiferente, desabrocha um sorriso desajeitado e sem controle, meio torto, mas verdadeiro. Até a alma sorri ali, naquela simplicidade aonde um muda tudo, e o dia de tristeza também ganha beleza.

E agora eu canto aquela melodia, com meus olhos e meus lábios, para todo lugar que eu vou. Pois tristeza já não se instala em mim, ela passa e eu a acaricio, e ela vai embora e me deixa aqui, com a minha canção, ecoando pelas paredes e pelos bosques.

E até o simples respirar é mais bonito. E o cansaço é apenas um descanso que me lembra de mergulhar em sonhos, e nesses sonhos ver os meus planos concretos ali.

E o olhar da melodia, o mais oposto e o mais complementar, eu encontrei. Que em vez de se chocar com os meus, me chamou, e eu mergulhei ali, respirando amor e todos os outros sentimentos que ele exala. E a canção ali, ganhando novos ritmos a cada dia, transformando meu cansaço em disposição. Confortando minha dor entre suas asas, que eu descobri não serem de simples pássaro, mas de anjo celeste e carnal. Anjo tão humano quanto eu, e tão lindo, mas tão lindo que emprestava um pouco da sua cor para o mundo todo. E tudo era mais cor, mais melodia, mais amor.

(07/03/2009)

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