quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Algodão-doce!

Sonho de criança

Criança de sonho, não sei se era feita de papel áspero, ou de algodão-doce, ou de vapor! Dançava entre fitilhos e fitas de cetim, com as cores do arco-íris bem vívidas. Ora era carnaval, vestida de pétalas de rosas e mascarada como uma donzela em miniatura, ora era melancolia em encenação pura, os olhos suplicando de lágrimas, o corpinho pálido curvado, vestida em tons opacos!

E quando sonhava, ria alto, soltava gargalhadas gostosas, feitas de sonho. Sonho sonhava, feito criança.

Quando queria mais era, era tudo o que uma mulher adulta poderia sonhar em ser, feito sonho, era criança! E ria, ria alto! E quando no sonho se perdia, mulher respondia, mente madura, acomodada de visões sobre o mundo, corpo cheio de volumes, quadril para lá e para cá, sensualidade no olhar, de sonho!, e desejo ardente em todo o ser. E ao criança de sonho se fazer, caía para trás, e ria! Ria porque a felicidade era plena e incondicional, tanto para a mulher, tanto para a criança, e era mais feita dela, do que só de sonho. Mas sonho a balançava, fazia ela rodar no ar. E ela voava, águia serelepe ganhando altitude! Tão bruta, tão suave, e tão de sonho!

Ao abrir os olhos, a criança, de sonho!, suspirava. O coração cantava, denunciando o sonho camuflando o amor. Haja sonho para tanto amor! E mulher ela se levantava, pele cheirando a poesia e sonhos cantados, mechas de cabelo enroladas em poeira de inocência. E os lábios, rosados, amor, chamavam. Os olhos ao se fecharem, amor encontravam, ardendo na alma, mais leve que a carne, mais superior. E os dentes, em um sorriso amarelado, felicidade estampavam. E no misto disso tudo, ela, a criança, e a mulher, a menina !, sonho contava. E amor, respirava, e amor, vivia.

E de seda ela se cobria, de um luxo de simples alegria, ela se enfeitava. E que ninguém duvide, a criança, é assim pois é completa. E é assim porque encontrou no homem o menino, e no sonho a realidade, e vice-e-versa. Se encontrou no menino, e encontrou o menino, nela. Era concha e ostra, céu e mar. E os dois se uniram, em um só. É sonho e realidade, amizade e amor, é ela e é ele. E os dois corpos, são uma só alma. E o sonho, é realidade. E ela, nada é, sem ele.

Pois sem ele, nem menina, nem sonho, nem nada, ela conseguia ser. E o vazio era tão inquieto que sussurrava tristeza nos seus olhinhos sonhadores, e o mundo, nem graça tinha. Nem felicidade, nem amor, e nem carnaval, era só silêncio, e mais nada.

Mas, com ele, lá ia ela, dançar no próprio riso, coração contando pro corpo o amor, junto com o da alma, que iam em um embalo só, enchendo de ternura e de beleza, todo esse mundo de dor.

E então, ela ria!

(Retirado do Flog - Ahhh, adoro *-*)

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