O mundo era de uma grandiosidade tremenda, e ela, pequenina. Tinha manias e apostava com si mesma. Tímida, eloquente. Sonhava muito além dos limites de seu corpo pequenino, sua alma irradiava dela, ondas e espumas bem branquinhas beijando a praia, alma beijada por desejos, por segredos.
Facilmente se emocionava, se irritava. Ela tinha um defeito bem estranho: chorava quando sentia raiva. Ao sentir raiva causada por alguém muito próximo, seus olhinhos castanhos se enchiam de gordas lágrimas. E a voz, perdida em algum sussurro trêmulo, ganhava um tom de mágoa, não de raiva. Talvez porque a raiva, por pessoas assim, a deixava magoada, é, talvez, talvez.
Ela tinha um amor sereno, que a confortava todo, todo, tempo. Às vezes séria, boba, dramática, sensível, carente (!). Atenção para esse último aqui, que carente era todo o tempo e algumas horas até demais. Seu amor era sua felicidade, seu equilíbrio, e a sua saudade. Ai, amor, saudade! Que sentimentozinho ruim esse, viu... Ela se moía toda, virava caquinhos, entrava em um martírio desproposital - era boneca de pano caída pelo peso do próprio corpo, com seus olhinhos de botão, brilhantes, mas tão tristonhos... É que, sabe, quando se recebe muito carinho, e muito amor, e muita compreensão até em pequeninos gestos, o ser se acostuma, e ela se acostumara. E por mimada estar, acostumada a ter sempre isso tudo todo o tempo, ao ficar qualquer fração de tempo sem o dono de seus mimos, ela sentia falta. Ah, Deus, e como sente! Saudade é um sentimento sem nome. Não precisava existir. Olha, amor, podemos evitar a saudade se você colar em mim e não se afastar nem um minutinho, que tal? Um dia evitaremos, um dia evitaremos.
(Resto do texto apagado porque não valia o bastante para ser guardado.)
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