segunda-feira, 6 de julho de 2009

Diva Baby, um conto sem começo (Ou, Carne Podre ponto)

Acertou-lhe o peito, um ruído oco. Rosto corado, olhos pintados e arregalados de pavor. Seu corpo fez um arco até atingir o chão. Boneca sem freios, consumida por seu consumo. Vestido de lantejoulas, saltos-agulha, batom. Íris azul como o céu, um azul urgente e, ao mesmo tempo, vazio.

Era cheia de vida - vida movida por dinheiro e ambição, tinha planos para realizar, pessoas a conhecer, o mundo era uma mesa de sensações servidas, para ela. Sorriso encantador, de deixar homens se arrastando. Corpo modificado, mas escultural. Ela era uma deusa para si mesma, e para outros que a rodeavam.

Cheirava, bebia, injetava. Drogas, álcool, álcool, drogas, e sexo. Não vivia sem nenhum deles. Deusa cheia dos tropeços. Puta. Sem se declarar, mas era escrava de desejos imundos. Adorava a carne e todos os seus pecados.

Não conhecia o amor. Dizia que conhecia e que era isso que sentia por seus vícios.

Um disparo sem querer, e o peito da diva foi perfurado, a bala passou raspando pelo coração. Não havia tristeza, nem dor, todos olhavam encantados o seio esquerdo da diva derramando seu sangue Real, dando um tom rosado, vinho, ao seu vestido deslumbrante. (Juro que esperava o momento em que algum dos seus amantes iria se agachar ali, e limpar todo o ferimento com a língua - língua já acostumada com os orifícios dela - eca. E quem sabe até mesmo sugar, com o fim de ter o sangue da diva enchendo sua boca como uma fonte fazendo um cálice transbordar; olhos frenéticos e bico de peito moído, a morte te dá prazer também, Baby? eu perguntaria)

Fez aquele gracioso arco, e caiu, estatelando aquele corpo sem ritmo no chão. Morreu. Carne morta, só. E morreu ali, também, tudo que dela fora, tudo que dela originou-se... Pois tudo dela era baseado na carne, e só nisso, apenas nisso. Morreu, só, acabou. Sem lágrimas por você, Baby. E se tiver, acredite em mim, é saudade desse teu corpo, e do teu sexo imundo, nem lembram da tua alma. Você teve alma, Baby? É, eles não sabiam, e nem chegaram a saber, que tinha. Nem você mesmo soube... Se afoga nesse álcool, se mata nesse teu orifício que te dá prazer e que já foi sujado por inúmeros fluídos.

Carne podre, Baby, é a isso que você se resumiu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário