Ela está parada, mas ela dança. E é a Appassionata acalmando o turbilhão de idéias que se chocam em sua mente. Tintilar de copos, de corpos. E nas escadas das notas musicais todo o seu interior se eleva e se conduz, se reprime, se anula. Vestido preto e uma pele branca demais. Dança só, em um salão escuro, não há luz para mostrar seus cachos castanhos.
Os olhos fechados em um momento de simples glória banal, aaaah!, Moonlight Sonata... Deitou no chão gelado, contemplando os raios de luz que passavam pos pequenas frestas das janelas. E seu corpo era um cálice vazio sendo ocupado por melodia. Não havia riso, nem nada. Ela se deixara dominar pelo momento, por notas. Há outra respiração além da dela, ela não está só. Ele a levanta. Sua voz a desperta, conforta todo o corpo dela.
Furelise. Acordou, estava sentada na cama. Furelise... E sentiu o desejo de dois braços calorosos que ela tanto quer em volta de seu corpinho. Fora um sonho de valsa quase que interminável, e era no peitoral dele que ela apoiara o rosto... Agora ela o tem com ela, em todo suspiro. E ela espera poder tê-lo, logo, em cada visão do espaço que respira. Nutrir todos os sentidos com a presença dele, o rosto ali, apertado por suas mãos miúdas. E deixar que os olhos digam a ele, o que palavras e voz não sabem dizer.
E o torpor das músicas era só para esquecer do mundo, do mundo...
(Alterado.)
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