quinta-feira, 26 de março de 2009

Voa, Colibri!

Luz dos olhos meus, deixa eu me encaixar nos segredos teus! Vem contar pra mim o que te magoa tanto, que eu tenho dois bracinhos mornos e duas mãos de moça, para afagar-lhe e aconchegar-lhe. Deita aqui, no meu colo, vou te fazer dormir.

Que um dia eu possa, acordar do sonho e sentir braços pesando sobre minha cintura, corpo colado ao meu, e ao olhar, sonho sonhando!, dormindo como uma valente criança, as pálpebras debruçadas no rosto, relaxadas. E se o meu coração não te acordar, Lhe planto um beijo de bom dia nessa boca entreaberta. Acorda, Amor, acorda! E respirar você, sentir o gosto seu, escorrer seu suor, no meu corpo. Vem cá, Amor. Me afundar no teu peito, e suspirar...

Vem! Molhar os pés na espuma da praia, e os joelhos, na onda quebrada. Venha ver o meu cabelo empregado de maresia, rir comigo dele. E deslizar para a areia, e te cobrir comigo. Ah, deixa eu te olhar mais um pouquinho, o tempo não faz parte de mim- quando estou com você - , por isso não o vejo passar.

Desce um pouco dos céus, doce criatura! Deus te deu as asas, mas eu lhe ofereço amor, não vá embora. Penas e plumas leves, eu as assopro e elas riem, deliciadas. Querubim, Serafim, meu Yang e meu Yin, Meu Tudo. Deixa, amor, as lágrimas peroladas dos anjos que tanto amor tiveram e têm por nós rolarem pelo nosso peito, lavar a alma, acariciar o corpo.

É só seu olhar se perder no meu, que estou feita. Deixe que as estrelas esfarelem anos e anos sobre nossas cabeças. Por mais zonza que eu possa ficar, você, e só você, me guia, e então a paz me invade, densa e sublime, vai do peito sendo bombeada para todo o corpo, derretendo o medo. E então o amor me encara, incondicional, inquestionável, íntegro. Olhe, os céus pesando a eternidade em nossas costas, do serafim que derramou sagradas lágrimas em meu corpo adormecido, asas eu ganhei. Vem, Amor, vem voar comigo.

Vem calar a boca da chuva. Me beija, meu colibri! Que o meu corpo molhado, colado ao teu, jamais irá tremer, de frio. Oh, volúpia! Orvalho beliscando nossas bochechas com o vento. Aperta meu cabelo, sacode meu corpo, grita para eu ouvir, que o barulho da chuva está alto demais! Me morde, me beija, me agita, me nina. Escuta, encosta aqui no meu peito e escuta, mesmo com essa chuva grosseira sobre nós, e todo o meu suor e corpo molhado, meu coração canta. Naquele ritmo desesperado, "amor, amor, amor, amor, amor", ele te chama, meu bem. Escuta.

Balança comigo na rede, se a gente cair, a gente caí junto, e até no chão, eu me enrosco em você, me aninho entre seus ombros, e então, puxo o ar, e suspiro. Você é muito mais do que eu mereço, os céus me deram um tesouro e eu o mesclei no meu peito, quem quiser tirar que arranque o órgão que canta aqui, que o sufoque. Mas tesouro não é tudo, e por isso minha alma se aquece, e se eleva, porque esse amor é maior que eu, ele me toma, é você aqui em mim, reescrevendo comigo as minhas frases fracassadas, me transformando.

E agora eu sou puro torpor, eu sou mar, eu sou amor, eu sou tudo, eu sou infinito, e eu sou só tua. Me guarda com você, que você já faz parte de mim.

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Voa, colibri, abre essas asas e golpeia o ar! Lança nas minhas asas pálidas de borboleta a sua cor, o seu bronze.

Me beija, Romeu! Transforma os meus lábios miúdos de moça em um par amado, suas palavras na minha língua. Se enrola nos meus mal formados cachos, Romeu, enlaça teus dedos neles, me penteia. Beija o meu amor inocente, Romeu, que ele é puro e todo seu. !

Voa, Colibri, voa!

(Alterado e retirado do flog)

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