quarta-feira, 25 de março de 2009

Borrão de Tinta

Borboleta dança no vento, escrevendo agilmente arcos no ar, que nascem e logo morrem, em um ciclo generoso e sem fim.

Pausa ali, um instante, pequena inquieta! , lhe gritam outros seres, e ela ri, gozando da própria leveza, pintando quadros com seus tons pastéis.

Ela flutua, e engana os rivais.

E então, passos rudes de criança voraz, palmas no ar. O mundo se fecha em um amasso de asas, pó escorrendo, estilhaço de cores.

Abre as mãos, criança. Pequena dançarina esmagada! E o menino a joga ao vento, dizendo, dance, dance, pequenina!

Já não se faz arcos, e a pintura está borrada. E ela cai, leve como uma folha, dançando agora apenas com o seu pó, no ar. E o corpo escorrega e se prega ao chão, sem vida, sem nada, é cor pisada ao chão.

E os olhos inocentes da criança rasgam a cena rude, das mãos. Um olhar marejado. Uma lágrima idiota cai, salgada e cristalina, espatifando-se na asa morta, é um pedido desculpa, da delicada alma, expressado pelo rude corpo humano.

Está tudo bem, criança, ela ainda tem cor. Só não tem vida.

(Retirado do Flog)

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